Saudade
Todas as noites te ponho no colo
Te adormeço na lentidão dos pensamentos
Me faço merecer no teu aconchegante solo
Ainda que faltem os merecimentos
Percebo no teu sorriso o espaço
Que deixei sem ditar o meu preciso
Mas que a torre de majestoso laço
Imprime teu semblante digno e conciso
Seguem-se os dias de novas tempestades
E tu trocas folhas dos tempos convertidos
Como se pedras fossem de ventos que pisastes
Sem perguntar se as noites os havia escondidos
Mas cabe a ti saudade ficar de verdade
No meu peito aberto como um lírio híbrido
Guardada em nuvens de eternidade
Esperando pelo pássaro de sorriso tímido.
(Descrições/Sylvio Brasil)
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